Havia 5 templos principais no ápice da Ordem Shaolin,
embora raramente esses templos estivessem ativos ao
mesmo tempo.
Henan:Este é “o” templo Shaolin
visto nos filmes chineses de kf, e o retratado na
série de kung fu da TV ABC nos anos 1970. As dependências
físicas localizadas em Loyang, uma pequena cidade
montanhesa no sudoeste de Beijing, foi restaurado
pelo governo chinês no meio dos anos 1970 (o templo
foi destruído como resultado da Rebelião dos Boxers
de 1901, mas não provavelmente antes do final dos
anos 1920) e subseqüentemente se tornou uma Meca do
turismo e das artes marciais. A maioria dos “monges”
residentes são atores similares às pessoas que você
encontraria na Williamsburgo Colonial e outros lugares
históricos. Durante a maior parte de sua história
o templo de Henan foi a moradia dos mais experientes
monges da Ordem Shaolin.
Fukien: Provavelmente foi construído
ao mesmo tempo que o templo de Henan, mas originalmente
foi o principal templo budista até o começo do séc.
XV. Esse templo foi integrado à Ordem Shaolin por
volta de 650 d.C.. Maior do que o templo de Henan,
Fukien serviu como “quartel-general” nos momentos
em que Henan estava destruído ou sob ameaça. Os estilos
do sul do louva-a-Deus, da serpente, do dragão e Wing
Chun foram todos desenvolvidos no templo de Fukien
ou por seus mestres. O templo foi queimado durante
a Rebelião Boxer e seus restos foram descobertos no
começo dos anos 1980.
Kwangtung: Templo da serpente que
ensinou muitos grandes guerreiros nos estilos do sul.
O templo foi construído como um templo Shaolin no
final do séc. XVI em uma área montanhosa com vista
para o oceano perto de Xangai. Esse templo cantonês
ficava perto de Fukien (aproximadamente 240 kilômetros
a sudoeste), e originou muitos estilos do sul como
Choy Li Fut e o dragão (os estilos eram freqüentemente
originados em um lugar e modificados em outros). Foi
bombardeado durante a guerra civil que se seguiu à
Rebelião dos Boxers.
Wutang: Templo do tigre. Localizado
perto da cidade de Wutang. Foi construído numa área
instável politicamente (perto da Manchúria e da península
coreana). Provavelmente é o templo que mais se envolveu
nos eventos temporais, e conseqüentemente era freqüentemente
assediado por um exército ou outro. Monges mercenários,
incluindo Bok Lei, Hung Si Kuan e Bok Mei vieram de
Wutang, mudando eventualmente apara Henan (e portanto
envolvendo a Ordem Shaolin em incursões políticas
maiores). É um templo muito antigo, integrado à Ordem
Shaolin por volta de 800 d.C.
O Mei Shan: (literalmente “A Grande
Montanha”) Templo do norte com grande biblioteca e
predominância nos estudos medicinais. Esse templo
era localizado numa área inacessível da província
de Szechuan e importava monges como muitos institutos
de pesquisa de hoje. O templo era muito antigo, provavelmente
de origem taoísta. Foi integrado à Ordem Shaolin por
volta de 1500 d.C.. O templo mantinha contato íntimo
com o Tibet. É o templo da garça, que foi uma grande
“escola” de medicina por quatro séculos com bibliotecas
cheias de tomos originários do Oriente e do Ocidente.
As construções eram usadas para a prática de artilharia
pelos exércitos tanto de Shang Kai Shek quanto de
Mão Tze Tung, mas foi restaurado no começo dos anos
1970. Hoje o templo serve como quartel-general do
centro de serviços de conservação para a floresta
de bambu de Szechuan, e centro de pesquisa dos pandas.
Os quatro primeiros templos marcavam no antebraço
a ferro quente o tigre e o dragão nos braços esquerdo
e direito respectivamente de seus monges. O templo
O Mei Shan tinha o louva-a-Deus e a garça nos antebraços
direito e esquerdo.
ESTRUTURA DOS TEMPLOS
Descrição da graduação
O Shaolin tinha uma estrutura de classe limitada
com três níveis principais: estudantes, discípulos
e mestres. Na base estava o estudante, que continha
a maioria dos indivíduos. Os membros desse grupo preparavam
as refeições, lavavam as roupas e faziam as outras
tarefas domésticas e trabalhos manuais. Essa era a
sua posição para que eles aprendessem humildade e
respeito, mas também prover aos mestres uma oportunidade
de observar os potenciais protegidos antes de lhes
confiar qualquer habilidade marcial. Aquele que tivesse
entrado antes de você e ainda estivesse na sua classe
era um irmão ou irmã mais velho.
A próxima classe do Shaolin era composta de discípulos.
Eles eram estudantes que demonstraram ter merecimento
para aprender as artes marciais do templo. Depois
da entrada nessa classe eles ficavam de dois a quatro
anos no estudo exclusivo das artes Shaolin de guerra
e medicina, tendo já recebido seu treinamento básico
em filosofia como estudantes, tendo aprendido os princípios
da ética Shaolin. Como discípulos seu tempo deveria
se prestar a viver essa ética, servindo de exemplo
para os outros que os seguirão.
Acima dos discípulos estavam os mestres, a quem tinha
sido concedido o status de monges completos do templo.
Esse título lhes foi concedido porque eles aprenderam
completamente um sistema de artes marciais de seu
templo e o aperfeiçoaram, atingindo portanto maestria
técnica. Eles também foram bem sucedidos no aprendizado
da filosofia do templo bem o suficiente para ensinar
o que aprenderam. De fato era essa a sua função no
templo. Eles eram os “distribuidores de conhecimento”
à classe dos estudantes. Entre eles havia níveis de
excelência que indicavam sua proeza marcial e sua
compreensão da filosofia Shaolin.
O título de “grão-mestre” não é uma hierarquia tradicional,
mas um termo modificado para indicar que o mestre
também ensinou estudantes que atingiram o grau de
mestre. Não havia teste ou pré-requisito formal para
o uso desse título, e os grão-mestres raramente o
usavam para se referirem a si mesmos.
Títulos
Esses são os títulos em mandarim:
Masculino Feminino
Estudante junior shidi shimui Faixa branca
Estudante sênior shihing shimei Faixa branca
Discípulo shisuk shigoo mei Faixa preta, 1º-2o
Instrutor shifu shimoo Faixa preta, 3º-4º
Instrutor sênior sibok shidigoo Faixa preta, 5º
Mestre sigung shipoo Faixa dourada, 5º-7º
Grão-mestre shidaigong shidaipoo Faixa vermelha, 8º
e acima
Esses são os títulos em cantonês:
Masculino Feminino
Estudante junior sidi simui Faixa branca
Estudante sênior sihing simei Faixa branca
Discípulo sisuk sigoo mei Faixa preta, 1º-2o
Instrutor sifu simoo Faixa preta, 3º-4º
Instrutor sênior sibok sidigoo Faixa preta, 5º
Mestre sigung sipoo Faixa dourada, 5º-7º
Grão-mestre sidaigong sidaipoo Faixa vermelha, 8º
e acima
Hierarquia
Há quatro cores tradicionais nas faixas Shaolin (a
hierarquia dos mestres é dividida entre o dourado
fosco e tons fortes de vermelho):
· Faixa branca: estudante
· Faixa preta: discípulo
· Faixa dourada: mestre em armas, mestre básico desarmado
· Faixa vermelha: mestre desarmado, nível de monge
Uniforme básico é branco com as cores usadas abaixo
como enfeite:
· Choy Li Fut: tira bronze, símbolo de cavalos
· Garça: tira branca, símbolo da garça
· Garça branca tibetana: tira azul claro
· Serpente: tira esmeralda, origem desconhecida
· Dragão: cor do estilo do dragão
· Serpente: tira verde escuro
· Tigre: tira vermelha, símbolo de saúde física
O que é um discípulo?
Os estudantes ficavam curiosos do porquê alguns usavam
faixa preta e outros não, embora tivessem um processo
marcial similar. Perguntaram ao mestre e sua resposta
foi lúcida.
“O que é uma faixa preta? Agora vocês sabem que significa
ser um discípulo, o que se provou durante um período
de treinamento rigoroso. Ele é dedicado, leal, versado
e acima de tudo confiável. Tão confiável, de fato,
só eles na organização têm hierarquia que expira anualmente
a não ser que provem ainda ser confiáveis.
“Não é um prêmio automático. Não há requerimentos
físicos específicos para todos. A quantidade de formas
é irrelevante. Os elementos intangíveis são os mais
importantes nessa promoção. Tomar responsabilidade
pela vida e ações de alguém; a habilidade de respeitar
e confiar; a habilidade de ser amigo, conselheiro,
irmão ou companheiro de treino. Dos aproximados 3000
estudantes nesse pai somente alguns chegaram à faixa
preta.
“Eles fazem mais do que o que você pede, vendo as
tarefas não como deveres mas como desafios dos quais
se tira lições. Eles sacrificam tempo e esforço. Ao
invés de negligenciarem o trabalho ou escola eles
aprendem a cultivá-los com seu Kung Fu. Eles são competentes
nos campos escolhidos e usam seus conhecimentos para
ampliar a sua competência. Eles não esquecem os princípios
filosóficos depois de cada classe; eles os VIVEM.
E eles perseveram, mesmo – e ESPECIALMENTE – quando
as coisas ficam difíceis.
“Eles lideram, não através de intimidação ou hierarquia,
mas através de compaixão e respeito. São modelos,
e as pessoas aberta e genuinamente os respeitam. E
eles aprendem, sempre.”
O estudante refletiu sobre essa resposta por algum
tempo. Ele observou os estudantes seniores e os novos
discípulos trabalhar, e então os observou no tempo
livre. Com o tempo ele viu a diferença de atitude
daqueles que agiam com total compreensão de suas ações
e aqueles que lutavam desesperadamente contra uma
corrente externa.
Finalmente ele entendeu o porquê da estrutura hierárquica
Shaolin. Você não poderia ser considerado digno, mas
você conclui que você está sendo digno. Quão sutil!
Quão apropriado. Quão Shaolin.
A VIDA NO TEMPLO
Seria difícil descrever um dia “comum” na vida de
um monge Shaolin “comum” porque como na maioria das
outras atividades humanas cada dia e cada vida era
diferente. O que podemos tentar é um tour pelo templo
(baseado numa história oral do templo de Cantão) como
existia até por volta de 1915. As características
são generalizadas, mas têm a intenção de dar uma idéia
de como realmente era.
A região externa ao templo contém uma variedade de
jardins agriculturais onde a maioria da comida dos
monges era plantada. Os muros frontais, entretanto,
eram ajardinados de forma a refletir os conceitos
Shaolin de paz e harmonia. Pinheiros e bambus são
cuidadosamente colocados na linha de aproximação,
mas uma área gramada separa os portões da frente das
árvores. Esse “canal” tem aproximadamente 12 metros
de largura, e provê uma área sem cobertura para dificultar
a invasão potenciais intrusos. Também é aqui que a
maioria da prática de armas acontece (somente Hollywood
poderia fazer um templo tão grande que todas as suas
funções ocorressem dentro de suas muralhas). A entrada
principal é barrada por dois enormes portões de madeira,
que se fecham em ângulo exato entre si; um abre como
uma porta comum e o outro desliza lateralmente da
parede à outra porta, provendo proteção extra contra
ataques. Normalmente os portões frontais são usados
em ocasiões cerimoniais como a promoção de um monge.
Hoje o portão está fechado, então devemos entrar por
um menor em um dos muros laterais.
Conforme você anda pelo muro lateral pode observar
alguns monges tocando instrumentos musicais tradicionais
ou participando de uma discussão filosófica com um
monge mais experiente. Embora os filmes mostrem Shaolin
como super soldados com testosterona extra, os templos
eram na verdade centros culturais, algo como as universidades
modernas. Acredita-se que a maestria somente se alcançava
com a obtenção de harmonia do corpo, mente e espírito.
Cada monge, portanto, era versado e mais do que artes
marciais, o que na verdade era considerado um dos
menores níveis de conquista. (aqui devemos discordar;
Shaolin não depreciava o seu kung fu, mas o via como
um todo, e incompleto o praticante se tudo que podia
fazer bem era lutar. O kung fu gerava uma paz de espírito
através da compreensão das capacidades marciais que
desenvolvia, mas era usado principalmente para disciplina
física. Esperava-se que essa disciplina fosse usada
para aperfeiçoar a pessoa como um todo.)
Você entra por um estreito portal de pedra e passa
por outro jardim, possivelmente plantado com uma variedade
de flores. Num pequeno pátio adjacente alguns discípulos
estão treinando kung fu. Ao longo do muro há bancos
onde os estudantes mais novos estão medindo roupas,
fazendo cestas ou praticando caligrafia. Uma construção
de pedra à esquerda é o celeiro, e logo a frente há
mais monges fazendo farinha. A toda a sua volta há
pessoas com suas tarefas mundanas, pois essa é a área
central onde a comida é estocada e preparada; estudantes
estudam e os negócios diários com o mundo externo
acontecem. Uma estrutura larga há vinte metros à direita
se parece com um templo, você entra e numa pequena
área de templo com um altar, estátuas e incensos acesos
no fundo da construção. Este não é o templo principal,
mas uma área de meditação para discípulos e estudantes.
É onde eles recebem suas instruções em meditação e
visualização matinais e noturnas, e durante o dia
os discípulos aprendem outros aspectos de coordenação.
É onde você pode notar que nem todos os habitantes
são homens, e nem são homens todos os aspirantes a
monges. O Shaolin se dedicou à universalidade da experiência
humana, e não negou ninguém com qualificações para
admissão (novamente ao contrário da televisão). Entre
os mais famosos Shaolin estavam algumas das “freiras”
incluindo a co-fundadora do estilo do dragão verde
Ng Mui eundadora do Wing Chun, Ng Mui (separadas por
dez gerações e provavelmente sem relação), e outras.
A idéia chauvinista de que Shaolin era somente para
homens somente é declamada audivelmente pela existência
de dois os mais famosos templos e prestigiosos estilos.
Quanto ao termo “freira”, uma má escolha, mas como
o termo “padre” foi tirado de uma estrutura familiar
de missionários cristãos para nomear suas contrapartes
“pagãs”. As mulheres no templo tinham os mesmos direitos,
privilégios, responsabilidades e ofícios que os homens.
Todos eram chamados (tradução pobre) de “monges”.
Somente títulos específicos eram relacionados ao gênero
(veja Hierarquia), como as mulheres mais velhas, que
eram chamadas de “irmã mais velha”, ou mestres de
treinamento que eram chamas de “tia” e assim por diante.
Saindo da porta e continuando à esquerda você anda
por um belo jardim cujo caminho serpenteia por curtas
ilhas de grama e areia cuidadosamente varrida e cascalhos.
Pequenas árvores pontilham entre as ilhas. Há um lago
de peixes de um lado ao lado do qual há um monge sentado
em meditação. No final há alguns estudantes, também
meditando. Sua entrada termina abruptamente num outro
muro, e você pode ir para a direita ou para a esquerda;
indo para a direita eventualmente chega ao fim do
muro, que é a face sul da principal construção cerimonial
do templo. A frente, há uns 60 metros está o portal
principal de novo, mas viramos para a esquerda e continuamos
através do pátio em direção à entrada do templo. Subimos
em três lances de escada de pedra e passamos por uma
porta intrincada cujos lados são suportados por colunas
entalhadas para se parecerem dragões em vôo com extremidades
coloridas de dourado e corpo em verde escuro. Acima
da entrada há uma placa vermelha como caracteres dourados
que podem ser traduzidos em “Templo Shaolin”. Enormes
portas de madeira estariam normalmente fechadas, exceto
pelo fato de que o templo está em uso cerimonial.
Então seguimos adiante.
Nossos olhos lentamente se ajustam ao interior escuro,
iluminado hoje por um número mínimo de velas ao longo
de cada parede. Acima da entrada os candeios são estátuas
de meio a um metro de altura; ao longo da parede esquerda
há várias encarnações de Buda, Bodhidarma e importantes
patriarcas de Shaolin no correr da história. Na direita
há descrições dos animais clássicos numa variedade
de posições de luta, cada qual se postando com se
estivesse se defendendo de sua contraparte humana
ao longo do corredor. No final da longa parede há
uma gigante estátua de Buda.
Enquanto você sai com um pequeno recuo para a porta
do templo pode ver de novo a área de alimentos ao
longe na esquerda, à frente as cozinhas, áreas de
alimentação e dormitório, e mais à direita uma série
de prédios baixos que abrigam as áreas comuns, a biblioteca
e áreas de estudo. Você anda pelo salão de jantar
até outro estreito pátio ladeado de um muro baixo.
Em frente a cada porta há uma área para treinamento
e instrução de kung fu – essas são as legendárias
salas.
As áreas de treinamento de Shaolin assumiram um status
praticamente mítico entre os artistas marciais, provavelmente
por causa dos legendários resultados de seus bem sucedidos
estudantes. Na verdade as salas eram simplesmente
áreas de treinamento para diferentes aspectos do kung
fu. Algumas eram específicas, onde se aprenderia as
kuen (formas) do tigre ou dragão. Outras eram lugares
para o desenvolvimento muscular como a sala de treinamento
da posição do cavalo ou a de carregamento de água.
Outras ensinavam coordenação e reflexos, combate,
uso de armas, e meditação e visualização de técnicas.
O número real de salas variava dependendo de qual
templo você estava, da combinação de habilidades ensinada
como foco pelos mestres específicos, e naturalmente
do tamanho do templo. No Cantão por exemplo, muitas
salas serviam para duas ou três funções. Você podia
estudar uma forma de garça na sala 4 às oito da manhã,
praticar luta lá ao meio dia e voltar para exercícios
de coordenação às cinco da tarde.
É importante ressaltar que há mais mitos em torno
das nossas crenças sobre os monges Shaolin do que
deveria. Entre as falácias rapidamente descartadas
estão: os Shaolin eram todos homens, todos celibatários,
eram principalmente guerreiros, estudavam principalmente
kung fu, eram todos médicos treinados, e eram diferentes
das outras pessoas de alguma forma. Os mitos colocam
pessoas reais em pedestais, e não fazem nada por estudantes
potenciais. Os Shaolins tiveram seus heróis e vilões,
monges ascetas e rebeldes políticos, celibatários
devotos e fecundos parentes.
A crença mais universal parece ser que Shaolin era
um lugar para estudar, primeiro e acima de tudo, kung
fu. A China tem uma história de centenas de artistas
marciais, sendo somente uma pequena fração de verdadeiros
praticantes “Shaolin”, então não era necessário ir
a um templo para aprender luta. De fato o lado combativo
do kung fu era ensinado aos discípulos Shaolin como
significado de combate ao self, para restringir o
ego e desenvolver o domínio físico sobre o seu próprio
corpo. Considere o quão pouco controle real as pessoas
geralmente têm sobre si mesmas. Nunca estamos longe
de uma grosseria “patológica”, ou pessoas que revive
suas energias físicas para pouco benefício. Quando
Bodhidarma instituiu as práticas que evoluíram no
kung fu sua principal preocupação era de tornar os
monges suficientemente fortes fisicamente tanto para
suportar o estilo de vida isolado e o decepcionante
e exigente treinamento que a meditação requeria. De
fato um dos mais antigos axiomas Shaolin é “aquele
que entra em combate já perdeu a batalha”. Essas filosofias
geram terríveis plots para filmes.
As fases iniciais do treinamento Shaolin envolviam
muito do que chamaríamos de gramática escolar (para
muitos estudantes a entrada acontecia com dez anos).
Longos dias eram gastos aprendendo a ler e escrever,
e caligrafia de qualidade era vista como sinal de
boa educação. Os estudantes também aprendiam matemática,
história, etiqueta, filosofias taoísta e budista,
pintura, música, trabalho têxtil, agricultura, cerâmica
e cozinha. Ser nada menos do que auto-suficiente era
visto como uma falha no regime de treinamento. Estudantes
mais velhos e discípulos freqüentemente escreviam
livros de história, poesia ou história natural, enquanto
outros formavam grupos musicais (comumente com um
mestre ou dois), pintura ou aprendiam medicina. Era
um dos desenvolvimentos do lado cultural da vida fortemente
marcada naquele que estivesse na comunidade Shaolin.
Por conseqüência há preferencialmente uma grande
quantidade de espaço construído para abrigar uma biblioteca,
materiais de arte, área de música e outras práticas
do dia-a-dia. Tais interesses eram ativamente encorajados
e para novamente traçar um paralelo com as universidades
ocidentais, esses monges eram ensinados a passar por
sessões em comunidades locais. Monges itinerantes
levavam arte, leitura, medicina e agricultura a vilas
remotas enquanto as pessoas próximas ao templo vinham
para sessões em todos esses tópicos. Principalmente,
entretanto, eles vinham para ajuda médica e na agricultura,
já que muitas vilas chinesas não eram tão ativas intelectualmente
como alguns nos fariam acreditar.
Agora para notas controversas: nossos instrutores,
todos produtos dos templos antigos, ensinados que
se uma pessoa estuda Shaolin e aprende um pouco mais
do que kung fu, ele não era Shaolin. Todas as artes
do templo procuravam levar a pessoa mais perto da
iluminação ao prover ferramentas para construir uma
pessoa por completo, ou o que costumamos chamar uma
pessoa da Renascença. Uma pessoa comum de muitos trabalhos,
mestre em um ou dois, essas são as qualidades que
definem um monge de acordo com aqueles que há muito
fizeram essas designações na China. Se você é uma
pessoa jovem em idade escolar, não sacrifique os estudos
pelas artes marciais. Mesmo que você aprenda essa
habilidade, uma ferramenta sem corte é uma ferramenta
de uso limitado.
Fonte: www.shaolin.com