Pintura
As origens da tradicional pintura chinesa remontam
à distante história da China. De uma maneira geral,
as obras anteriores à dinastia T'ang (618-970 d.C.)
são principalmente desenhos de pessoas engajadas em
várias atividades - esta foi a "era dourada"
do desenho de figuras humanas. Durante a primeira
metade da dinastia T'ang, pinturas de paisagens e
de flores e pássaros começam a ganhar proeminência.
Pinturas de montanhas, florestas, campos e jardins
conseguem transportar alguém para longe dos problemas
do mundo material para um reino calmo e despreocupado.
Por este motivo, as pinturas de paisagens sempre foram
altamente valorizadas pelos literatos e burocratas
da China. As flores, gramados, árvores, pedras, pássaros
e outros animais representados nas pinturas cheias
de vida e energia de flores e pássaros também são
amplamente admirados. Assim, as três categorias principais
da tradicional pintura chinesa seriam paisagens, flores
e pássaros, junto com a antiga pintura da figura humana.
As classes dirigentes e de elite das dinastias T'ang
e Sung (960-1279 d.C.) foram as principais defensoras
da pintura chinesa. O objetivo criativo por detrás
das obras artísticas produzidas neste período era
mais sério e tinha um significado político e educacional;
em estilo, as obras tendiam a ser elaboras e ornamentadas.
A corte da dinastia Sung estabeleceu uma academia
de pintura muito bem sistematizada. O imperador Sung
Hui Tsung, um amante de finas artes e da pintura,
e um artista realizado em seu próprio direito, concedeu
patrocínio especial aos pintores nesta academia e
patrocinou o treinamento de pintores promissores.
A academia de pintura atingiu o ápice de sua atividade
neste período.
Porém, devido a graduais mudanças sociais, econômicas
e culturais, um número crescente de homens de letras
iniciou-se na pintura, e a literatura veio a exercer
uma influência crescente na pintura. Na época do famoso
poeta Sung, Su Shih (1036-1101 d.C., mais conhecido
como Su Tung Po), a escola da "pintura dos literatas"
já havia surgido. Durante a dinastia Mongol Yuan (1271-1368
d.C.) não havia mais nenhuma organização acadêmica
de pintura formal dentro do palácio imperial fazendo
decair o estilo de pintura da côrte. Nesse ponto a
escola de pintura dos "literatas" entrou
para a popularidade e a liderança dos círculos de
pintura chinesa caiu nas mãos dos pintores literatas.
Os literatas preferem pintar tipicamente de acordo
com sua própria imaginação e sem restrição, e defendem
um estilo fresco, livre, suave e elegante. Suas preferências
incluem montanhas e rochas, nuvens e água, flores
e árvores, os "quatro cavalheiros"(flor
de ameixa, orquídea, bambu e crisântemos) e assim
por diante. Devido ao fato de objetos naturais como
estes serem temas menos exigentes do que a figura
humana em pintura, o pintor pode explorar melhor o
potencial de livre expressão de seu pincel e tinta.
Uma obra de Ou Hao-nien, mestre contemporâneo da aquarela
Se a pintura chinesa é "realista", é um
assunto de debate freqüente. Alguns podem sentir que
ela não é realista, mas tal resposta conta apenas
parte da estória. O realismo na pintura chinesa alcançou
seu clímax nas pinturas das dinastias T'ang e Sung.
Contudo, o tipo de "realismo" buscado na
pintura chinesa não é uma reflexão objetiva da existência
de um objeto percebido através do sentido da visão,
mas como uma expressão de um tipo subjetivo de reconhecimento
ou insight.
Por exemplo, nenhum esforço aberto é feito para
representar as sombras lançadas por um tipo particular
de iluminação em um determinado lugar e tempo na roupa
de pessoas representadas na pintura Che k'na T'u da
dinastia Sung e, por esta razão, a pintura não tem
efeito tridimensional claro. Depois que o pintor colocava
as linhas no papel, ele usava técnicas de lavagem
de aquarela para alcançar um efeito "chiaroscuro"
de luz e escuridão, representando as forças do "yin"
e "yang" para expressar sua compreensão
da eterna e requintada natureza de seu tema. Um quadro
de um agricultor pintado de acordo com os princípios
objetivos de perspectiva deveria teoricamente parecer
mais longo na frente e mais curto na parte posterior,
refletindo a diminuição percebida em tamanho relativo
de objetos mais distantes. Mas as extremidades da
frente e de trás de um agricultor verdadeiro são iguais
em comprimento, e este conhecimento do mundo físico
está incorporado na imagem que o pintor Che K'na T'u
criou: o agricultor é representado como uma superfície
plana com lados iguais em comprimento.
Em outra obra chamada "Imortal Tinta Espirrada",
do artista Liang K'ai da Dinastia Sung, o artista
quis retratar não só qualquer homem na rua, mas uma
outra reclusão mundana, e assim teria sido impróprio
usar um ser humano comum como modelo. As formas altamente
incomuns - até mesmo estranhas, nesta pintura - com
pinceladas corajosas e desenfreadas, dão o fundo certo
para as características deste extraordinário indivíduo.
Esta pintura é representante da tradicional escola
chinesa de pintura "pincelada à mão livre".
Che K'an Tu, da dinastia Sung, que retrata a estória
de um fiel ministro cujo bom conselho foi inicialmente
rejeitado po seu imperador
O componente fundamental da pintura chinesa é a
linha, como na caligrafia chinesa. Por causa desta
característica compartilhada, estas duas artes tiveram
uma íntima relação mútua desde muito cedo. Na época
que as pinturas "literatas" tornaram-se
populares na dinastia Yuan, os homens de letras que
pintavam colocaram mais esforços para reafirmar o
vínculo com a caligrafia chinesa, e conduziram ativamente
a tendência para fundir a caligrafia e a pintura.
E a íntima relação entre a poesia e a pintura foi
formada sob a forte influência da literatura sobre
a pintura. Os estadistas-intelectuais e os literatas
conduziram a fusão da poesia e da pintura, e isso
eventualmente se espalhou até a academia de pintura.
O Imperador Hui Tsung da dinastia Sung é conhecido
por ter usado a poesia para testar as habilidades
dos pintores em expressar-se com tinta e papel o mundo
encantado criado no verso escrito.
Com o início da dinastia Sung um pequeno número
de artistas começou a escrever os nomes do doador
e do receptor da pintura, ou a talhar seus nomes em
um canto imperceptível da obra. Quando as pinturas
dos "literatas" estavam em voga da dinastia
Yuan, os homens de letras começaram a adicionar notas
pessoais à pintura, ou linhas relacionadas à poesia
para exibir sua habilidade de prosa e caligrafia.
Esta escrita agora dava um lugar mais proeminente
ao trabalho. Neste ponto havia uma nova união de assinaturas,
nomes do doador e do receptor e notas na pintura ou
verso relacionado com a pintura em si. A colocação
de nomes talhados também se estabeleceu nesta época.
O acréscimo de impressão de nomes talhados, uma arte
em si, enriqueceu mais o conteúdo artístico da pintura
chinesa.
Desde a virada do século, a República da China tem
passado por grandes mudanças políticas, econômicas
e culturais, e a arte da pintura não é exceção. Enquanto
a tradicional pintura chinesa ainda ocupa lugar importante
na vida do chinês moderno, muitos pintores já desejaram
expressar suas experiências de novos tempos. Ao combinar
novos modos de expressão com as técnicas da tradicional
pintura chinesa, eles estão abrindo um vasto e novo
mundo de expressão artística.
Fonte: www.sinonet.com.br