A China
A civilização chinesa tem uma longa história, cuja
principal característica foi, até o século XIX, a
imutabilidade de determinados elementos como o cultivo
de cereais, a escrita, a importância da família ou
o culto aos antepassados. Assim como outros povos
da antiguidade, os chineses pensavam que a melhor
forma de viver não consistia em modernizar-se, mas
em repetir arquétipos do passado. Na Mongólia e na
Manchúria desenvolveu-se uma cultura mesolítica de
caçadores e agricultores no período pós-glacial. Em
Linxia e Chifeng apareceram as primeiras colônias
agrícolas sedentárias. No início do quarto milênio
antes da era cristã, surgiu na fértil região do vale
do Amarelo a civilização neolítica de Yangzhou, caracterizada
pela pintura em cerâmica, pelo aperfeiçoamento das
técnicas agrícolas (cultivo de cereais) e pela domesticação
de animais. No começo do segundo milênio antes da
era cristã, a China entrou na idade do bronze.
A descoberta desse metal teve conseqüências importantíssimas.
Formou-se uma vasta civilização caracterizada pela
divisão da sociedade entre os nobres, habitantes das
cidades-palácios, e os camponeses. A nobreza reconhecia
a autoridade de um soberano, embora o poder deste,
na prática, se limitasse ao campo religioso. Assim
surgiu a primeira dinastia conhecida, denominada Shang
(séculos XVIII-XII a.C.), da qual se tem notícia pelas
inscrições encontradas em Anyang. Essa dinastia, enfraquecida
pela pressão dos povos vizinhos, foi substituída entre
os séculos XII e III a.C. pela dinastia Chou, que
transferiu a capital para Luoyang, na região de Honan.
Desde o século VIII a.C., a vasta civilização chinesa
já ocupava o curso médio do rio Amarelo. Esse amplo
território era de dificílimo controle. A unidade cultural
do início viu-se ameaçada pelas tendências desagregadoras
dos principados periféricos e pela pressão dos povos
bárbaros vizinhos, sobretudo os do norte, os mongóis,
pois os do sul foram vencidos e assimilados. Graças
à descoberta do ferro foi possível conter as hordas
que ameaçavam as fronteiras.
As guerras desse período vieram acompanhadas de grande
florescimento cultural. Foi nessa época que surgiram
as duas principais correntes filosóficas da China:
o confucionismo, que ressaltava os princípios morais,
e o taoísmo, criado por Lao-tzu ou Lao-tsé, que defendia
uma vida em harmonia com a natureza. Outra escola
importante foi a de Mengzi ou Mengtse, que destacava
a importância da educação como meio para aperfeiçoar
a natureza humana. Os últimos reis Chou viveram retirados
em Luoyang. Entre os anos 230 e 221 a.C., o estado
de Ch'in destronou a dinastia Chou e se impôs aos
príncipes locais. Embora de curta duração (221-206
a.C.), a dinastia Ch'in foi de vital importância para
a China, pois lançou as bases de um império que haveria
de se manter durante mais de dois milênios.
O império consistia em um território unificado sob
controle religioso e político de um soberano. Mas
a dispendiosa política defensiva e centralizadora
dos Ch'in (construção da Grande Muralha e estradas)
provocou uma sublevação generalizada da qual saiu
vencedor o proprietário de terras Liu Pang, que impôs
sua autoridade e fundou a dinastia Han (206 a.C.-221
d.C.). A política dessa dinastia se voltou para o
fortalecimento do poder real, o que tornava imprescindível
enfraquecer os príncipes feudais. O governo central
apoiava-se em um funcionalismo fiel; este provinha
de um corpo de letrados recrutados mediante concurso.
A dinastia Han coincidiu com um período de expansão
comercial e agrícola que se manifestou pela rotação
de culturas, pela realização de numerosas obras hidráulicas,
pela formação de uma classe mercantil e pela substituição
da antiga aristocracia por um grupo de proprietários
de terras mais dinâmicos. Os Han também adotaram uma
política expansionista que resultou na conquista do
norte da Coréia, da região de Mu Us e da zona meridional
até Canton. No campo ideológico, essa dinastia fez
do confucionismo a doutrina oficial do estado; as
idéias de Confúcio, ensinadas nas escolas, eram matéria
exigida nos concursos ao funcionalismo. No fim do
século II da era cristã, as sublevações populares,
de inspiração taoísta, e os ataques dos nômades instalados
nas fronteiras norte-ocidentais obrigaram o imperador
a entregar o poder a militares e proprietários de
terras nas regiões vizinhas.
A época compreendida entre os anos 221 e 589 é conhecida
como a dos três reinados e das seis dinastias. Nesse
período, a China sofreu divisões internas e o ataque
de diversos povos nômades (tibetanos, turcos e mongóis).
Alguns desses povos estabeleceram-se no vale do Amarelo,
o que provocou uma intensa emigração para o curso
inferior do Yangzi, onde se produziu uma fecunda fusão
cultural. O delta desse rio tornou-se uma próspera
região agrícola, baseada nas culturas de arroz e chá.
No âmbito religioso, difundiram-se o budismo e o taoísmo.
Em 581, Yang Jian, alto funcionário do reino Chou
do norte, conseguiu submeter à sua autoridade a região
do sul, depois da conquista de Nanjing. Assim, a nova
dinastia, denominada Sui, reunificou o país depois
de três séculos de fragmentação política, econômica,
cultural e lingüística. Durante esse período, construiu-se
o grande canal que uniu o Yangzi ao Amarelo. Os reveses
nas guerras contra coreanos e turcos precipitaram
a queda da dinastia. Li Yuan, comandante dos exércitos
do norte, aproveitou o desencadeamento de uma revolta
na região oriental para assassinar o imperador e tomar
o poder.
A nova dinastia, a T'ang (618-907), continuou a obra
reunificadora iniciada pelos Sui. Os T'ang reorganizaram
a administração, derrotaram turcos e coreanos e conquistaram
o Tibet. Durante essa época, a China conheceu grande
desenvolvimento artístico (poesia e pintura) e científico
(cartografia e matemática) e entrou em contato com
outras civilizações, como a japonesa, a coreana, a
indiana e a árabe. O período de florescimento cultural
e de expansão territorial da dinastia T'ang terminou
com a derrota chinesa frente aos árabes em 751, na
fronteira norte-ocidental. A partir desse momento,
começou uma fase de decadência e esta resultou em
nova fragmentação que sobreveio à queda dos T'ang,
em 907. O período das cinco dinastias e dos dez estados,
entre 907 e 960, caracterizou-se pelo caos político,
embora tenha havido um importante desenvolvimento
científico que se plasmou na invenção da imprensa.
A partir de 960, a dinastia Sung reorganizou o país
impondo reformas tributárias que aliviaram a situação
econômica dos camponeses e favoreceram o comércio.
Nessa época houve grande desenvolvimento cultural,
com a difusão de textos impressos e a renovação das
doutrinas confucionistas. Contudo, a nova dinastia
perdeu o controle do nordeste do império. No século
XI, a China ficou dividida em duas zonas: a metade
meridional, ocupada pelos Sung; e a metade setentrional,
em poder do reino mongol de Kitan. No século seguinte,
os Juchen estabeleceram o reino Chin na China setentrional,
onde se mantiveram até a chegada dos mongóis. Em 1206,
Gengis Khan consolidou seu poder sobre as tribos mongóis
das estepes do lago Baikal. Cinco anos depois, invadiu
a China. Com a derrota definitiva dos Chin em 1234,
os mongóis continuaram seu avanço para o sul em 1250.
A parte meridional do país, controlada pela dinastia
Sung, resistiu com denodo, mas finalmente, em 1279,
todo o território chinês ficou sob a autoridade de
uma dinastia estrangeira, a dos Yuan.
O neto de Gengis Khan, Kublai-Khan, transferiu a
capital para Khanbaliq (a futura Pequim). Durante
essa época o comércio foi favorecido pelo controle
da zona ocidental, que abriu as rotas para a Ásia
central e a Europa. A abertura dessas rotas permitiu
a chegada das idéias européias por meio de viajantes
como Marco Polo e Giovanni da Montecorvino. Não durou
muito o imenso império mongol, assimilado à sociedade
e à cultura chinesas. Em meados do século XIV, uma
revolta camponesa transformou-se em guerra de libertação
contra os mongóis, cujo último imperador foi derrubado
em 1368, quando o monge budista Chu Yuanchang (Hongwu)
fundou a dinastia Ming. Durante esse período aumentou
a atividade marítima. As embarcações chinesas chegavam
à Arábia e até mesmo à África oriental. Floresceram
as belas-artes (arquitetura, cerâmica) e multiplicaram-se
os contatos com o exterior. No fim do século XVI os
portugueses instalaram-se em Macau e vieram muitas
missões jesuíticas. A partir do fim desse século,
os ataques de piratas japoneses geraram grande instabilidade,
que foi aproveitada pelos manchus, descendentes dos
Juchen da Manchúria, que conquistaram todo o império
em 1644.
Até o fim do século XVIII, a China experimentou grande
florescimento sob a nova dinastia Ch'ing (manchu).
O império logrou sua máxima expansão territorial:
pacificou-se o Tibet e os mongóis foram derrotados;
o Annam (o futuro Vietnam), Myanmar e o Nepal reconheceram
as fronteiras meridionais da China; e Formosa foi
conquistada em 1680. A introdução de novas culturas,
como a do milho e do tabaco, favoreceu o desenvolvimento
agrícola, e o comércio expandiu-se com o estabelecimento
de colônias européias (portuguesas, holandesas e britânicas).
Além disso, a população cresceu muito: passou de 150
milhões de habitantes em 1600 para 400 milhões no
começo do século XIX. Com o fim do século XVIII, porém,
a China entrou em um período de crise econômica, política
e social. Dessa vez, a ameaça para a dinastia Ch'ing
e para a China tradicional viria da Europa, que pretendia
aumentar sua penetração comercial nesse país, contra
a vontade dos imperadores. A instabilidade política
interna, fruto da crise econômica, serviu de brecha
aos europeus para forçarem a abertura dos portos chineses
ao comércio. Em 1839, os ingleses aproveitaram a destruição
de um carregamento de ópio (mercadoria que introduziam
na China a partir da Índia) para declarar guerra à
dinastia Ch'ing.
A chamada guerra do ópio terminou com a derrota chinesa.
Os ingleses forçaram o Tratado de Nanjing (1842),
pelo qual os chineses se comprometiam a abrir ao comércio
britânico cinco portos, entre os quais os dois mais
importantes do país, Xangai e Canton, e além disso
cediam o de Hong Kong. Nos anos seguintes, prosseguiu
a instabilidade interna. Em meados da década de 1850,
sucederam-se os levantes muçulmanos das regiões de
Xinjiang e Yunnan; e, em 1853, o movimento Taiping,
de cunho religioso e milenarista, conquistou Nanjing
e tentou expandir seu poder pelo norte da China. Uma
intervenção militar franco-britânica obrigou o governo
chinês a fazer novas concessões. Pelo Tratado de Pequim,
firmado em 1860, abriram-se 11 outros portos no país
e ofereceram-se mais vantagens aos estrangeiros.
DINASTIAS DA CHINA
- PERÍODO ARCAICO - antes de 221 a.C.
- DINASTIA CHOU - 1112/221 a.C.
- UNIFICAÇÃO DE CH'IN E HAN - 221 a.C./221 d.C.
- DINASTIA CH'IN - 221/206 a.C.
- DINASTIA HAN OCIDENTAL - 206 a.C./25 d.C.
- DINASTIA HSIN - REBELDE WANG MANG - 7/24 d.C.
- DINASTIA HAN ORIENTAL - 25/221 d.C.
- PERÍODO DOS TRÊS REINADOS - 221/265
- DINASTIA WEI - 221/265
- DINASTIA HAN MENOR- 221/265
- DINASTIA WU - 229/265
- UNIFICAÇÃO DE CHIN - 265/317
- DINASTIA CHIN OCIDENTAL - 265/317
- DIVISÃO DO NORTE E DO SUL - 317/589
- DINASTIA CHIN ORIENTAL - 317/420
- DINASTIA SUNG - 420/479
- DINASTIA LIANG - 502/557
- DINASTIA CH'EN - 557/589
- DINASTIA HUO CHAO - 307/352
- DINASTIA WU DO NORTE - 386/550
- DINASTIA CH'EN DO NORTE - 550/589
- DINASTIA CHOU DO NORTE - 557/581
- UNIFICAÇÃO DE SUI E T'ANG - 589/907
- DINASTIA SUI - 589/618
- DINASTIA T'ANG - 618/907
- REBELDES T'ANG - 757/761
- AS CINCO DINASTIAS - 907/960
- DINASTIA SHU ANTERIOR - 907/960
- DINASTIA T'ANG DO SUL - 907/978
- DINASTIA HAN DO SUL - 917/942
- DINASTIA HAN POSTERIOR - 947/957
- DINASTIA CHOU POSTERIOR - 951/960
- REBELDES
- SUNG - 960/1280
- DINASTIA SUNG DO NORTE - 960/1127
- DINASTIA SUNG DO SUL - 1127/1280
- IDADE MÉDIA - 960/1644
- DINASTIA LIAO - 907/1125
- DINASTIA HSIA OCIDENTAL - 982/1227
- DINASTIA CHIN - 1115/1260
- DINASTIA YUAN - MONGOL - 1280/1368
- REBELDES YUAN
- DINASTIA MING - 1368/1644
- REBELDES MING - 1644/1681
- IDADE MODERNA - após 1644
- DINASTIA CH'ING - 1644/1911
- REBELDES T'AI P'ING - 1812/1864
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