O
Tao... palavra intraduzível. Um modo de ser. O Caminho do Meio,
por ser a busca do equilíbrio. O Sol e a Lua: O claro e o escuro:
o correr dos rios e o vôo dos pássaros. Tao... que tudo engloba,
nada separa. Linguagem da natureza, tão esquecida pelo homem. Harmonia
do desequilíbrio. Yin e Yang. Céu e Terra. Tao... vivência
do aqui e agora sem reações, pleno de observações.
Fluência; inércia na ação. Totalidade. Complementação
Homem e universo.
Tudo
isso é o Tao e muito mais. Onde o sentir é mais importante
que o saber. O vivenciar em lugar do relatar. A participação
consciente da nossa realidade interna com a externa. Uma proposição
ao Homem de ser um todo corpo, mente, razão e emoção
na eterna dança das mutações em busca da Unidade.
Tao... é para ser vivido e não falado.
Não
sabemos quando aconteceu, mas o homem separou-se da Natureza, e quando
isso aconteceu ele se enfraqueceu, pois cortou o contato direto com a sua
maior força e suprimento de energia. Se nos aliarmos ao Sol, ao
Vento, às Águas e a Terra seremos fortes e imbatíveis
como seres integrantes e participantes deste contexto maravilhoso que é
o Universo. Somos um Todo pertencente ao Todo.
Somos
Unos na Diversificação. Parte de cada gota de orvalho caindo
da folha no despertar da manhã. Parte da relva que veste as colinas
verdejantes que nos rodeiam. Parte das águas dos rios e dos mares.
Sim, somos fortes e não sabemos usar a nossa força porque
não estamos centrados em nós mesmos.
A
maioria não vive. É vivenciada pelos acontecimentos. A tecnologia,
o intelecto, a razão de valores tão fora da realidade e que
nos é imposta, nos afasta do conhecimento real do nosso Ser e amortece
o potencial natural de cada um.
Vamos,
no dizer do Tao, fluindo no Yin e Yang, balancear os dois lados da moeda
que temos de viver. Vamos conscientizar nossa atuação no
cotidiano, no dia a dia, procurando uma forma de equilibrar nossa realidade
interna com a que somos obrigados a viver. Vamos nos integrar às
coisas simples da Vida, unir nosso potencial individual ao potencial universal.
Somos capazes disso. Usemos nosso mental para projeções positivas.
Equilibrando
nosso corpo e mente estaremos mais aptos para vencer as dificuldades. Valorizando
o simples que nos é acessível, como um dia de sol, uma noite
estrelada, a beleza de uma flor e o riso de uma criança, estaremos
captando o bom e o positivo, o real da nossa existência.
No
fluir do Tao, estaremos seguindo o curso da Mãe Natureza. Não
podemos eliminar a violência, a desagregação, a desarmonia,
o ódio e o medo, como não podemos eliminar a noite e exigir
a permanência do dia. Mas podemos nos trabalhar interiormente
para melhor receber esses impactos sem deixar que eles nos derrubem.
Sejamos
como o junco que durante um vendaval se curva até o chão,
no máximo de flexibilidade para não se quebrar, e ao passar
a tormenta, se posta ereto apontando para o céu e dançando
ao sol. Sejamos flexíveis com o mundo, com os nossos semelhantes
e conosco mesmos. Só assim conseguiremos trilhar o Caminho do
Meio.
Assim
como o tigre, que antes de se lançar à presa se posta numa
aparente imobilidade no seu interior ele está pleno de concentração,
atenção, força e objetividade, para atingir o seu
alvo, assim é o Tao. Na aparente não ação há
um mundo de movimentação, planejamento, expectativa e elaboração.
Sejamos como a água, maleável e fluído que toma a
forma do lugar que percorre, sem oferecer resistência.
Vamos aprender a olhar e ver. Tocar
e sentir. Sentir mais do que saber. Valorizar o existir. O simples existir
e respirar. Andar e falar. Vamos nos centrar no nosso Ser e descobrir a
infinita possibilidade de ação que temos.
O
homem de hoje não é diferente do homem de 500 anos atrás.
Mudou a roupagem, vestiu uma fantasia de sábio tecnológico
e até atingiu a Lua, mas no fundo do seu ser as suas carências
são as mesmas. Ele precisa de Amor, de compreensão, de calor
humano e naturalidade de expressão. De espaço, de ar, de
tempo. De comunicar e ser comunicado. De criar e atuar dentro das leis
da Natureza.
Estamos
no limiar de uma nova era que surge e irrompe como o sol da manhã.
Outros cânticos, outras falas, sons internos que ecoarão por
todo o mundo, um mundo melhor, de mais conscientização, novas
conceituações e valores, uma descoberta do potencial total
de cada um. Auto-conhecimento e auto-gestão, auto-equilíbrio,
Auto-confiança. Essa é a proposição do Tao.
A
milenar China, através dos exercícios taoístas, nos
mostra a possibilidade de alcançar estágios de grande desenvolvimento
físico, mental, emocional e espiritual. Somos seres totais e vivemos
uma parcialidade. Por que não viver a totalidade? Os fundamentos
do Tao nos mostram que na simplicidade está a sabedoria.
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